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Especialista comenta sobre a tarefa de cuidar dos pais na nova idade

cuidar dos pais
30/01/2020
1 minuto de leitura

Cuidar dos pais na nova idade é uma tarefa que costuma causar muita ansiedade nos filhos. Afinal, essa troca de responsabilidades envolve a adoção de hábitos diferentes, adaptações da rotina, novos pontos para dar atenção, entre outros fatores.

Nessa idade, os pais podem assumir diferentes níveis de dependência, principalmente por questões de saúde. Por esse motivo, não é possível generalizar os cuidados, pois é necessário avaliar as suas verdadeiras necessidades. Afinal, alguns continuam morando sozinhos, enquanto outros precisam de mais atenção e companhia.

Neste artigo, convidamos a gerontóloga Beatriz Calmon do Nascimento para orientar como é possível desempenhar um bom trabalho com essa nova responsabilidade, estabelecendo uma boa relação entre pais e filhos. Acompanhe e saiba o que fazer!

O momento de cuidar do pais

O momento em que os pais precisam voltar a morar com os filhos geralmente causa um grande impacto na vida da família. Afinal, é comum que isso aconteça quando eles estão passando por algum quadro clínico que precisa de acompanhamento e assistência, desde uma doença até uma lesão.

Ou seja, trata-se de uma fase em que é desenvolvida uma dependência significativa e até mesmo a perda de autonomia em alguns casos e, muitas vezes, não é fácil para ela lidar com a ideia de que, a partir desse momento, será necessário contar com a ajuda dos outros para realizar as suas tarefas cotidianas.

Já para os filhos, quando chega a hora de cuidar dos pais e retribuir o que eles fizeram durante a sua infância e adolescência, a inversão dos papéis provoca uma preocupação — e isso é normal. Afinal, com a chegada do familiar em sua casa, muitas atividades vão precisar ser ajustadas, e a rotina certamente sofrerá alterações.

Contudo, existem diversas maneiras de fazer com que esse momento não seja tão difícil para ambas as partes. Além disso, contar com a ajuda e orientação de profissionais será uma peça-chave para que essa mudança aconteça da maneira mais positiva possível.

Os principais hábitos e cuidados para tomar ao cuidar dos pais

Para que essa experiência não seja ruim para os filhos nem para os pais, é importante priorizar algumas atitudes que possibilitem o convívio familiar saudável.

Desse modo, saber ouvir e se comunicar com os seus pais nesse momento vai ser imprescindível. Assim, você conseguirá entender melhor as necessidades de sua família e expressar as próprias.

Além disso, é importante adotar alguns hábitos muito eficazes e que abrem caminho para uma relação saudável. Confira mais, a seguir!

Tenha uma preparação psicológica e emocional para esse momento

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No momento em que você identificou a necessidade de trazer o seu pai ou mãe para morar em sua casa, é importante iniciar um preparo psicológico para essa nova tarefa.

“O tratamento com o psicólogo é sempre bom, mas se ele não tiver como arcar com isso, é importante que se prepare emocionalmente para morar com os pais, porque não vai mais ser como quando ele saiu de casa, quando os pais eram independentes e ele era a pessoa cuidada.”, diz a gerontóloga. O afeto é a principal chave que essa mudança ocorra de forma mais leve. É comum que os filhos sintam culpa ou incerteza e pra amenizar os sentimentos ruins que acompanham as mudanças deve procurar se conectar com seu pai ou mãe considerando suas histórias”- complementa.

A troca de responsabilidades pode assustar no primeiro momento e o sentimento de não estar pronto é comum. No entanto, com uma ajuda para tratar das questões psicológicas, é possível perceber que o processo de envelhecimento é natural. A dependência pode fazer parte e, ainda por cima, você pode lidar com essa nova tarefa, por mais difícil que ela pareça ser.

Nesse momento, é muito indicado buscar um profissional apto para lidar com essas questões. A terapia é uma ótima forma de tratar e analisar como você se sente diante da situação. Além disso, o acompanhamento psicológico é útil para os pais, que também estarão passando por uma grande mudança.

Para que seja possível cuidar bem de alguém, é preciso estar bem. Por isso, é importante que o filho, ao receber os pais em sua casa não deixe seu autocuidado de lado, é importante tirar um tempo para si também.

Entenda os potenciais riscos e prevenções que podem ser realizadas

A especialista reforça a importância de avaliar o que levou o seu parente a precisar dos seus cuidados. Por exemplo, se o problema for uma doença degenerativa, como o Alzheimer, isso significa que, muitas vezes, ele vai sofrer com problemas de memória.

Além de causar frustração, não se lembrar dos eventos causa desorientação e pode ser um grande risco em algumas situações. Imagine, por exemplo, que a pessoa está andando sozinha na rua e esquece o lugar em que estava indo ou o caminho para retornar à casa.

Em casos como esse, é fundamental que o seu parente tenha sempre uma companhia para o orientar e dar suporte quando houver falhas na memória. Por isso, será necessária a adaptação da rotina de toda a família ou mesmo a contratação de um auxiliar para prestar a assistência que o seu familiar precisará.

Outro caso é a dificuldade de mobilidade. Com o envelhecimento, os movimentos tendem a ficar mais limitados e problemas na coluna ou nas articulações começam a surgir com mais intensidade. Sendo assim, é importante que o local por onde a pessoa se locomove esteja livre de obstáculos a fim de prevenir quedas.

Por exemplo, o uso de tapetes, fios que ficam no meio do caminho, brinquedos espalhados pelo chão e até mesmo o pet correndo pela casa são alguns fatores que podem atrapalhar a movimentação de uma pessoa ou até mesmo colocá-la em risco de quedas. Desse modo, é necessário identificar essas possibilidades e agir de modo preventivo.

Além do mais, é importante ressaltar a necessidade de acompanhar e incentivar que os pais consultem especialistas e façam exames, principalmente aqueles mais específicos que servem para prevenir doenças graves ou que são destinados para homens ou mulheres depois dos 40 anos. Dessa maneira, é possível prevenir inúmeros problemas de saúde ou realizar o tratamento.

É comum os filhos privarem os pais de atividades domesticas temendo que se cansem ou se machuquem. Entretanto, é preciso conversar com seu familiar sobre essas atividades, pois também querem se sentir úteis e ocupados. Principalmente os que apresentam condições que não os permite sair sozinhos. As pessoas não costumam gostar de apenas assistir televisão o dia todo e precisam de outras atividades, essas que podem ser adaptadas de acordo com o grau de dependência e condição do idoso. Como, por exemplo, dobrar as roupas limpas ou lavar a louça, uma atividade que pode ser feita sob supervisão, dependendo do caso.

Avalie o contexto financeiro e faça o possível para adequar os gastos

A adaptação a essa nova mudança também pode exigir uma demanda financeira, seja para comprar utensílios, adequar o ambiente, contratar ajudantes, cuidar da alimentação ou até mesmo ajudar com a medicação. Por essa razão, é importante parar por um momento e fazer um planejamento a fim de avaliar o contexto e verificar a necessidade de reduzir os gastos em outros setores ou até mesmo conseguir uma renda extra.

A responsabilidade familiar sobre o idoso

Tanto a Constituição quanto o Estatuto do Idoso apresentam direitos e deveres da sociedade em relação à proteção das pessoas na nova idade. Isso aponta a responsabilidade familiar para oferecer o que o indivíduo precisa para preservar a sua dignidade e qualidade de vida.

Por isso, o abandono por familiares tem sido um assunto de grande repercussão no país. Ainda não existem punições severas aos filhos que se recusam a atender aos pais ou recebê-los em casa quando há a necessidade de assistência ou companhia.

No entanto, a Constituição Federal, no artigo 230, reforça o dever da família e da sociedade de amparar a pessoa na nova idade, a fim de que ela possa ter o seu bem-estar defendido, assim como o seu direito a uma vida digna.

Como visto, para cuidar dos pais na nova idade, é importante sempre se lembrar de zelar pelos cuidados com a saúde, assim como estimular a prática de hábitos saudáveis, a fim de garantir mais qualidade de vida e bem-estar a toda a sua família.

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