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Saúde mental na nova idade: especialista comenta sobre os principais cuidados

saúde mental na nova idade: senhora com enfermeira conversando
25/10/2019
3 minutos de leitura

Com o passar dos anos, nosso corpo muda e muita coisa pode não funcionar como antes. Envelhecer é um processo natural, geralmente acompanhado por uma série de desafios. Porém, tão importante quanto cuidar da parte física, devemos ficar atentos com a nossa saúde mental.

O conceito de saúde mental pode ser interpretado de diferentes maneiras. De maneira geral, compreende nosso bem-estar psicológico, emocional e social. Afeta como nos sentimos, raciocinamos e agimos. Também está relacionado com a forma como nos relacionamos com os outros, lidamos com o estresse e fazemos escolhas.

Continue a leitura e conheça os problemas comuns de saúde mental na nova idade e atitudes que podem ser tomadas para melhorar esse quadro.

Os índices de saúde mental no Brasil

Com o aumento da expectativa de vida, cresce a prevalência de doenças crônicas, os riscos de limitações físicas, de perdas cognitivas, de declínio sensorial e de propensão a acidentes e ao isolamento social.

De acordo com a Dra. Daniela Maria Cardozo, algumas doenças são mais comuns no processo de envelhecimento. Entretanto, com boa orientação e alguns cuidados, podemos preveni-las e até mesmo retardar o seu aparecimento.

Segundo ela, cuidar de doenças como diabetes, hipertensão e alterações dos níveis de colesterol, traz benefícios em longo prazo. Essa boa prática ainda adia o aparecimento de doenças cardiovasculares e circulatórias comuns nas pessoas com mais de 60 anos.

Nessa fase, além das questões físicas, a saúde mental também é comprometida, com consequente deterioração da condição geral. Um estudo feito com indivíduos com mais 60 anos constatou que 28,2% dos entrevistados sofriam com algum transtorno da mente — dentre eles depressão, distimia, síndrome do pânico e ansiedade. Já uma revisão bibliográfica de diversas pesquisas constatou que, no Brasil, cerca de 26% das pessoas na nova idade têm sintomas de depressão.

Apesar do que as estatísticas revelam, pode ser difícil entender os problemas de saúde mental nessa faixa etária. Às vezes, os sintomas podem ser muito sutis ou atribuíveis a uma variedade de condições ou mudanças de vida.

Os transtornos mentais mais comuns na nova idade

Existem vários fatores de risco para problemas de saúde mental em qualquer faixa etária. Na nova idade, as pessoas podem experimentar situações comuns a todos nós, como também circunstâncias mais frequentes nessa fase.

Depois dos 60 anos, é mais comum sofrer com a mobilidade reduzida, fragilidade, dor crônica ou outros problemas de saúde, para os quais são necessários algum tipo de cuidado em longo prazo. Além disso, é mais provável que vivenciem eventos como luto ou alteração no status socioeconômico com a aposentadoria. Tudo isso pode resultar em isolamento, solidão ou sofrimento psicológico.

Quem tem mais de 60 anos também está mais vulnerável a abusos — incluindo abuso verbal, físico, financeiro e psicológico — abandono, negligência e perdas de dignidade e respeito. Esses fatores podem levar não apenas a lesões físicas, mas também a graves consequências psicológicas prolongadas, incluindo ansiedade e depressão.

De acordo com a Dra. Daniela, é importante estar atento aos sintomas depressivos, tais como desânimo, apatia, perda de interesse de coisas que sempre gostou de fazer (por exemplo, ir à igreja, cozinhar, ler, caminhar, estar com família e amigos). Devemos estar alertas quando as noites de insônia se tornarem constantes, bem como episódios de choros desmotivados, ansiedade, medo e vontade de ficar isolado.

A médica afirma que esses sentimentos são comuns em pessoas da nova idade e pioram seu quadro — normalmente, devido ao falecimento do cônjuge, o casamento de filhos e a mudança dos netos (que muitos ajudaram a criar) para a faculdade ou outra cidade. Além disso, há as limitações quanto à mobilidade, à força física e até mesmo à solidão.

Segundo Daniela, muitas vezes, isso pode ser caracterizado como demência, mas na verdade se trata de um quadro depressivo, que deve ser tratado com medicação e psicoterapia. É importante que a família se mantenha cuidadosa quanto a tais tipos de situações.

As melhores práticas de estímulo à saúde mental

saúde mental na nova idade: segurar de mãos que dão apoio

A saúde mental pode ser melhorada por meio do estímulo do envelhecimento ativo e saudável. Essa prática envolve a criação de condições de vida e ambientes que apoiam o bem-estar e permitem que as pessoas vivam bem.

Existem várias tarefas capazes de melhorar a mente, você sabia? Conheça algumas delas a seguir!

Permanecer conectado

A solidão e o isolamento podem contribuir para a ansiedade e a depressão, portanto, é importante manter contato com outras pessoas. Grupo de convivência, vizinhos, amigos e familiares são boas alternativas nesse momento.

Manter-se ativo

A atividade regular é muito benéfica, capaz de aumentar a energia, melhorar o humor e a saúde física, além de contribuir para uma boa noite de sono.

Um estudo feito com 1.432 pessoas com idade média de 69 anos constatou que a prática de atividade física no lazer apresenta uma associação inversa com problemas mentais.

O ideal é encontrar uma atividade prazerosa. Nesse sentido, algumas opções são: jardinagem, caminhadas, pilates e aulas de dança. Recomenda-se conversar com o médico antes de iniciar uma nova rotina de exercícios.

Cuidar da alimentação

Comer de forma equilibrada tem um efeito positivo no organismo. Nesse momento, deve-se evitar alimentos e bebidas com alto teor de açúcar e álcool em excesso. É indicado seguir uma dieta variada e saudável, consumindo 5 porções recomendadas de frutas ou vegetais diariamente.

Para a especialista, a prática de atividade física moderada, atividade intelectual, convívio social e controle das doenças de base ainda formam a melhor prevenção!

A promoção da saúde na nova idade

Um dos problemas contínuos no diagnóstico e tratamento de transtornos mentais na nova idade é o fato de que essas pessoas têm maior probabilidade de relatar sintomas físicos do que queixas psiquiátricas.

No entanto, mesmo o estresse emocional e físico que acompanham o envelhecimento pode ser um fator de risco para doenças mentais, como ansiedade e depressão.

Conheça uma série de possíveis gatilhos para doenças mentais:

  • abuso de álcool ou substâncias ilícitas;
  • doença ou perda de um ente querido;
  • mudanças no ambiente familiar, como morar em asilos;
  • doenças quem causam demência, por exemplo, Alzheimer;
  • interações de certos medicamentos;
  • má alimentação ou desnutrição;
  • doenças crônicas;
  • problemas financeiros;
  • doenças físicas que podem afetar emoções, memória e pensamentos.

Todas as pessoas devem procurar uma avaliação médica após os 30 anos, anualmente, pois é quando se inicia o processo do envelhecimento. No futuro, um geriatra as acompanhará pelas próximas décadas e fará orientações a respeito dos cuidados a serem tomados para ter boa qualidade de vida..

Daniela Cardozo destaca que, após os 60 anos, a avaliação deve ser anual, principalmente para aqueles que já apresentam algumas doenças.

Para evitar e tratar alterações mentais, é preciso procurar ajuda — conversar com um médico de confiança, um psiquiatra ou psicólogo. O importante é não ficar parado e não sofrer sozinho.

Com os esforços combinados de cuidadores, familiares, amigos e profissionais, podemos prevenir e tratar doenças mentais e garantir que estamos no caminho certo para uma boa saúde mental.

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Colaboram neste artigo:

Dra. Daniela Maria Cardozo
Geriatra
CRM 119421

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