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Viver com stent: entenda os cuidados e desafios dessa realidade

viver com stent
27/04/2020
1 minuto de leitura

O stent é uma pequena prótese inserida no interior de uma artéria para desobstruir o fluxo sanguíneo, reduzindo o risco de ataques cardíacos e outros males do coração. Ele costuma ser empregado para tratar a doença arterial coronariana, na qual diversas placas de tecido gorduroso dificultam a passagem do sangue pelo corpo.

Com os avanços da medicina, atualmente é possível viver com stent por muito tempo, sem abrir mão da qualidade de vida. No entanto, é preciso tomar alguns cuidados para acelerar a recuperação e evitar a reaparição dos fatores de risco, que podem levar a um novo procedimento cirúrgico.

Para esclarecer quais cuidados são esses, procuramos a opinião do cardiologista Bruno Colontoni, criador do canal “Meu Coração Saudável” e autor do livro digital “Uma nova vida após o infarto”. Neste post, vamos mostrar quais são os desafios de viver com o stent e como superá-los. Vamos lá?

Como o stent pode ajudar o coração?

O stent apresenta o formato de um pequeno tubo metálico, que pode ser feito de aço, cobalto ou outros materiais metálicos. Após colocado na artéria com a ajuda de um cateter, a prótese se expande para abrir espaço e restaurar o fluxo sanguíneo. Dessa forma o coração volta a receber oxigênio e pode funcionar normalmente.

Segundo o médico Bruno, uma vez implantado, o stent permanece na artéria definitivamente. “Nenhum procedimento é feito com a expectativa de baixa duração. No entanto, várias coisas podem acontecer e reduzir essa durabilidade”, diz ele.

Quanto tempo dura um stent?

viver com stent

Bruno explica que existem alguns tipos diferentes de stent. Além do modelo tradicional mais simples, feito com ligas metálicas, alguns deles recebem a aplicação de uma substância farmacológica em sua superfície para evitar casos de reestenose, uma espécie de estreitamento do vaso sanguíneo que recebe o stent.

“Esse remédio presente no metal é o que impede a formação de tecidos (fibrose), então o paciente tem muito menos reestenose, muito menos mesmo. Ele é muito indicado para lesões complexas e diabéticos“, explica o médico.

Há ainda o stent bioabsorvível, ele tem uma durabilidade intermediária por reagir quimicamente com o corpo, sendo transformado em água e dióxido de carbono com o passar do tempo. De acordo com o médico, esse tipo de prótese apresenta indicações específicas, realmente só uma minoria dos casos chega a cogitá-lo para uso. “No geral, o implante do stent é para a vida toda, e ele tem uma durabilidade maior quando a reestenose não acontece”, diz Bruno.

Quais são os desafios de viver com stent?

Viver com stent por si só não deve representar uma preocupação para o paciente, mas sim a condição que levou à sua implantação, ou seja: a obstrução das artérias por placas de gordura ou colesterol.

É importante lembrar que o stent sozinho não impede a formação de novos bloqueios das vias coronarianas (que levam oxigênio para o coração), esses incidentes podem resultar em sintomas como dores no peito (angina), falta de ar e até mesmo um infarto agudo do miocárdio, mais conhecido como ataque cardíaco.

De acordo com o levantamento de dados da OMS, a maioria das doenças cardiovasculares podem ser evitadas com a adoção de bons hábitos e controle de fatores de risco, como a hipertensão, sedentarismo, tabagismo, diabetes e colesterol alto. Por isso, segundo o médico especialista, é preciso repensar as causas da angioplastia e passar por um processo de reavaliação da rotina.

“Dá para viver muito mais e melhor do que você imagina. Justamente por repensar a sua vida e seus hábitos, sua qualidade de vida pode ser melhor do que a rotina que você tinha antes, que era provavelmente mais focada no estresse e na alimentação errada”, explica Bruno.

Quais cuidados devem ser adotados após a colocação do stent?

Logo após a colocação do stent, é preciso tomar alguns cuidados com a recuperação e pós-cirúrgico. Quando a angioplastia não é realizada em caráter de urgência, sua alta costuma ser rápida e inclui recomendações de repouso, evitando o carregamento de pesos com 10kg ou mais nas duas primeiras semanas.

O próximo passo está no consumo regular das medicações receitadas pelo médico e, por fim, na adoção de hábitos saudáveis de forma permanente. Isso inclui uma dieta mais balanceada e a prática regular de atividades físicas para equilibrar o organismo e evitar a formação de novos bloqueios nas artérias.

Medicação

Se o caso não apresenta nenhuma peculiaridade, alergia ou complicação, é possível que seu médico recomende o consumo de alguns remédios como Estatina, Ácido Acetil Salicílico (Aspirina) e outros para as chamadas “doenças de base”, como diabetes, colesterol, hiperuricemia e pressão alta.

De acordo com Bruno, essas receitas são de uso contínuo e os pacientes (principalmente aqueles que já sofreram infarto) podem se preparar para tomar remédios de modo permanente. “Entretanto, a receita médica pode e vai mudar ao longo do tempo. Via de regra, uma medicação que não é para sempre é o anti-agregante plaquetário. Esse será usado por algum tempo, cerca de um ano”.

Alimentação

O paciente que vive com o stent precisa ressignificar a sua própria alimentação, já que a quantidade e qualidade do que é ingerido afeta diretamente a saúde do coração e os riscos de uma nova aterosclerose (ou seja: um bloqueio arterial). Para isso, Bruno sugere opções inspiradas na culinária do Mediterrâneo.

“A dieta mediterrânea é estudada a partir de hábitos de agricultores da região, que consumiam alimentos ricos em azeite, castanhas, frutos do mar, laticínios e bebiam água ou vinho. Essas pessoas tinham menos infartos”, diz o médico.

Outra dica para complementar a reeducação alimentar é ingerir mais cereais, legumes, raízes, tubérculos e outros comestíveis não processados, evitando ao máximo a farinha branca e açúcar refinado.

Atividade física

O estudo Internheart, uma avaliação dos fatores de risco para as doenças arteriais em várias partes do mundo, comprovou que a prática regular de exercícios físicos pode reduzir em até 52% o risco de doenças cardiovasculares em mulheres e homens.

Para o paciente que precisa viver com stent, as atividades físicas exigem alguns cuidados no processo de reabilitação, em especial nas primeiras semanas após a cirurgia. “Primeiramente, o paciente não deve ser encorajado a fazer exercícios sozinho, ele precisa de orientação específica e acompanhamento de um profissional experiente, geralmente um fisioterapeuta ou um educador físico com formação adequada a esse perfil de paciente”, explica Bruno.

Apesar disso, quase todos que receberam o tratamento correto e mantêm um bom suporte médico após a colocação da prótese podem (e devem) realizar atividades físicas. A única diferença, segundo o especialista, é que precisam de orientação profissional para isso.

Seu médico pode fornecer instruções personalizadas sobre como ter a saúde estável ao viver com stent. O ideal é que, logo ao receber alta e sair do hospital, você escolha um cardiologista ou angiologista de confiança para manter um vínculo prolongado e visitá-lo regularmente.

Agora que você já sabe tudo sobre esse assunto, que tal ler sobre os benefícios e malefícios do colesterol para sua saúde? Cuide-se e fique informado conosco!

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