Pesquisa

Você conhece os perigos da automedicação?

perigos da automedicação: mulher olhando para remédios e copo de água em sua mão
13/09/2019
3 minutos de leitura

Você conhece os perigos da automedicação? Quem nunca tomou uma medicação sem orientação ou prescrição médica para alívio rápido de algum desconforto, não é mesmo? Esse hábito, mesmo sendo comum entre as pessoas, não é recomendado. A automedicação pode ser perigosa e até agravar os sintomas.

Para se ter uma ideia do problema, o uso inadequado de medicamentos é a principal causa de intoxicações. Isso é o que mostra uma pesquisa feita pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Unicamp (SP) e as principais vítimas são crianças e idosos.

Das ocorrências, as intoxicações por uso de medicamentos correspondem a 32%, mais que o dobro dos atendimentos por consumo de produtos químicos ou picadas de animais peçonhentos. Mesmo que um remédio pareça inofensivo, ele pode causar reações adversas e riscos à saúde.

Por isso, neste post falaremos sobre os principais perigos da automedicação. Continue a leitura e confira!

Pode mascarar os sintomas principais

Um dos principais perigos da automedicação é uma falsa sensação de melhora dos sintomas. Falsa porque, apesar do alívio imediato da queixa, o uso inadequado de um medicamento pode mascarar os sintomas e sinais da doença, dificultando o diagnóstico e postergando o tratamento.

Um exemplo comum consiste no uso abusivo de antitérmicos. A febre normalmente é um alerta (sintoma) de que algo anormal está acontecendo no corpo. Por isso, ignorar esse sintoma ou mascará-lo pode impedir a percepção de um problema mais sério.

Em uma consulta o médico avalia não só os sintomas e sinais, mas também o histórico da doença, além de antecedentes pessoais e familiares — em seguida faz o exame físico e, muitas vezes, pede exames laboratoriais e de imagem. Com esses elementos faz o diagnóstico e tratamento mais adequado para cada caso.

Assim, se automedicar pode contribuir para um agravamento, causando complicações futuras.

Anular ou potencializar o efeito de outro remédio

Todo medicamento tem indicação, posologia, contraindicações, efeitos adversos e riscos de interação com alimentos, drogas e outros medicamentos. Muitas pessoas não sabem, mas a interações medicamentosas podem causar sérios problemas em quem tomou.

Isso é chamado de interação medicamentosa. Hoje em dia, é usual as pessoas usarem mais de um medicamento de uma só vez, dependendo da enfermidade que está sendo tratada.

São várias as interações medicamentosas possíveis, e entre os perigos da automedicação, a combinação inadequada de medicamentos é a principal, podendo anular ou potencializar o efeito de um deles. O médico é a pessoa indicada para a prescrição e orientação sobre medicamentos.

Causar reações adversas

A falta de conhecimento sobre determinado medicamento pode fazer com que a pessoa use alguma substância sem saber dos riscos de reação adversa. Algumas reações acabam sendo tão severas que podem causar sérios problemas.

Quando falamos em perigos da automedicação, especialmente se a medicação foi indicada por amigos ou familiares, é porque cada organismo é único, reage de maneira específica e a pessoa não sabe o próprio diagnóstico. Assim, o que é bom para uma pessoa, não necessariamente será bom para a outra.

São vários os tipos de reações que podem ocorrer, desde efeitos colaterais comuns, como enjoo, cefaleia, vômitos e diarreia, até reações alérgicas com erupções na pele, vermelhidão, inchaço e coceira ou, até mesmo, a pessoa sofrer um edema da glote (fechamento da garganta), que pode causar insuficiência respiratória aguda. Assim, um dos principais perigos, relacionados ao uso de medicamentos sem prescrição, são os efeitos colaterais e as reações alérgicas, que geralmente inesperados.

Risco de intoxicação

perigos da automedicação: idosa olhando caixa de remédios

Uma pesquisa feita pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) constatou que quase metade dos brasileiros que usaram medicamentos nos últimos seis meses se automedicou pelo menos uma vez. Esse estudo ainda identificou uma nova modalidade de automedicação, a feita partir de medicamentos prescritos.

Um exemplo disso é quando uma pessoa passa pelo médico, recebe a prescrição do medicamento, mas aumenta a dose por conta própria na intenção da melhora rápida. Esse hábito é muito perigoso, visto que, além do risco de anular o efeito do remédio, ainda pode causar uma intoxicação, por ingerir quantidades maiores do que o corpo necessita e suporta. Doses excessivas são prejudiciais e o acúmulo de substâncias no organismo pode comprometer outros órgãos e causar sequelas.

Pode favorecer o surgimento de superbactérias

Você já deve ter notado que não é possível comprar antibióticos na farmácia sem a apresentação de uma prescrição médica com receita controlada, certo? Um dos fatores que contribuiu para a implementação dessa medida foram os perigos da automedicação.

Antibióticos são usados para controlar infecções bacterianas e devem ser utilizados com cautela. O período de uso deve ser respeitado, mesmo se os sintomas da infecção já tenham acabado, seguindo à risca a orientação do médico.

O uso incorreto do antibiótico pode resultar no desenvolvimento de bactérias mais resistentes, contribuindo para que a infecção fique cada vez mais difícil de ser tratada. Contudo, o médico prescreverá o medicamento pelo tempo e dose necessária para eliminar completamente a bactéria que está causando a infecção. Por isso, seguir corretamente as orientações do médico para o uso do antibiótico é fundamental para o sucesso no tratamento.

Risco de dependência química

O alívio imediato de dores e outros sintomas após o uso de certos medicamentos pode se tornar um vício para a pessoa que se automedica. Essa dependência é mais comum em medicamentos usados para dormir, tranquilizantes, antidepressivos e alguns tipos de analgésicos. Muitos deles podem causar tolerância (o organismo tende a precisar de doses cada vez maiores para conseguir o efeito desejado) e a dependência (em que a falta do medicamento causa crises de abstinência).

Quando um medicamento é usado com muita frequência e sem orientação médica pode ocorrer uma diminuição progressiva da ação, ou seja, a pessoa que antes melhorava tomando um comprimido, agora vai precisa de dois ou mais. Com esse hábito, as substâncias contidas naquela medicação podem não fazer mais efeito na pessoa ao longo do tempo.

Os riscos da automedicação são reais e devem ser levados a sério. Antes de usar qualquer medicamento, mesmo que pareça simples, é preciso consultar um médico para ter o correto diagnóstico do tratamento.

Portanto, fique sempre atento aos perigos da automedicação e evite maiores problemas. Mantenha as consultas médicas sempre em dia.

Então, você tem mais algumas dúvidas sobre os perigos da automedicação? Lembrou-se de alguma experiência ou quer comentar algo sobre esse assunto? Deixe seu comentário neste texto e compartilhe a sua opinião!

Colaboram neste artigo:

Henrique Ratton Rosa
Farmacêutico
CRF 16580/MG



Você pode se interessar também:

  Desenvolvido por Ventron