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DST na terceira idade: a nova idade também precisa se cuidar!

dst na terceira idade
03/08/2020
1 minuto de leitura

Falar sobre vida sexual e DST na terceira idade ainda é um grande desafio, e o principal motivo é a vergonha que os pacientes e até mesmo os médicos têm para tocar nesses assuntos mais íntimos. No entanto, eles precisam ser abordados de uma forma aberta, uma vez que estão diretamente relacionados à saúde das pessoas com mais de 60 anos.

Quem já chegou à nova idade também mantém uma vida sexual ativa e nem sempre com apenas um parceiro, o que faz aumentar ainda mais o risco de contrair uma doença sexualmente transmissível. É por isso que os cuidados precisam ser adotados independentemente da idade.

Para quebrar um pouco esse tabu e trazer maiores informações sobre sexualidade na nova idade, conversamos com Karen Rocha de Pauw, médica ginecologista especializada em reprodução humana. Continue lendo e confira as explicações da profissional para se proteger melhor durante o sexo!

O sexo na nova idade

É verdade que o organismo de homens e mulheres muda depois dos 60 anos. No caso delas, existe uma queda na produção dos hormônios caracterizando a chegada da menopausa. Os homens perdem um pouco do seu vigor, mas nada disso significa que a vida sexual tenha que ser interrompida.

A sexualidade também faz parte da nova idade e isso é muito positivo, uma vez que a atividade traz bem-estar e eleva a autoestima, consequentemente melhorando a qualidade de vida de um modo geral. E não estamos falando das relações sexuais apenas entre casais estáveis, porque elas também podem acontecer de forma casual.

Não há nada de errado em uma mulher ou homem com mais de 60 anos namorar e sair com pessoas diferentes. A prática sexual a partir dessa faixa etária ajuda o indivíduo a se sentir mais vivo, com vontade de aproveitar a sua vida e tudo aquilo que ela tem a oferecer.

A médica entrevistada explica que ainda existe uma barreira para falar sobre a sexualidade das pessoas mais maduras. “Do mesmo jeito que o paciente tem vergonha, o médico também e temos que parar com isso”, diz ela. Esse bloqueio gera desinformação, que leva a um aumento da incidência de doenças e infecções sexualmente transmissíveis entre a população da nova idade.

A importância dos cuidados sexuais também na terceira idade

Segundo a especialista, existem perfis diferentes entre as pessoas sexualmente ativas na nova idade. No primeiro caso, temos casais que já estão há muito tempo juntos, mas que o homem cultiva amantes em função de crenças machistas ainda arraigadas na sociedade.

Existem as mulheres com um pensamento mais moderno e que são separadas, por exemplo, as quais encontram namorados e mantêm relações sexuais. A mesma situação pode acontecer com os homens, também separados ou viúvos, que continuam a atividade sexual com diferentes parceiras.

Em todos esses casos, “é um pessoal que viveu antes do HIV, então não estão acostumados com camisinha e uma série de outras coisas, o que faz com que fiquem mais vulneráveis”, alerta a médica.

A especialista explica que não muda nada para os jovens e as pessoas da nova idade. A relação sexual desprotegida, seja com um único parceiro em uma relação estável em que há infidelidade ou com parceiros múltiplos, há risco para a saúde do indivíduo, que pode contrair uma doença ou infecção sexualmente transmissível.

As principais infecções sexualmente transmissíveis entre as pessoas da nova idade

É preciso falar sobre sexualidade e DST na terceira idade. Karen nos explica que não importa a idade de um paciente, pois ele pode ter até mesmo 70 anos e ainda será preciso falar de sexo e educá-lo sem tabus. Afinal, as doenças sexualmente transmissíveis afetam a todos. Veja a seguir algumas das principais infecções transmitidas pela relação sexual que também são diagnosticadas em pessoas com mais de 60 anos.

HIV/Aids

O HIV é o vírus que provoca a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Essa doença tem apresentado grande incidência entre pessoas com mais de 60 anos, sendo que na última década houve um aumento de 103% nos casos. O contágio por HIV se dá pelo contato com o sangue ou pela relação sexual desprotegida com uma pessoa infectada.

Sífilis

Karen explicou que “uma das coisas que tivemos muito é a sífilis, uma doença antiga, mas que voltou por causa da falta proteção”. Tal problema é provocado por uma bactéria que causa feridas no local infectado e, quando não tratada, pode atingir nervos, o coração e o cérebro, além dos olhos, podendo provocar cegueira.

HPV

O HPV (Papilomavírus Humano) é uma das principais causas de câncer de colo de útero em mulheres. Existe uma estimativa que aponta que 75% daquelas sexualmente ativas terão contato com esse vírus no decorrer da sua vida. Porém, a transmissão não se dá apenas pela relação sexual, mas também em banheiros, sabonetes e toalhas.

Gonorreia

No Brasil, são registrados cerca de 1,5 milhão de novos casos de gonorreia por ano, inclusive entre pessoas com mais de 60 anos. Essa doença é uma infecção bacteriana que provoca dor ao urinar e secreção anormal, sendo transmitida principalmente pelo contato sexual desprotegido.

Herpes

É estimado que 417 milhões de pessoas em todo o mundo sejam portadoras de algum tipo de vírus do herpes. Esse patógeno provoca erupções e feridas na pele, afetando também a região genital. O caso é mais preocupante em pessoas da nova idade, porque nelas pode contribuir com casos de demência, mesmo em indivíduos saudáveis.

A prevenção às ISTs

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As pessoas estão alcançando uma longevidade maior em função dos avanços da medicina, da adoção de medidas preventivas, hábitos mais saudáveis, bem como a maior preocupação em manter uma alimentação equilibrada e nutritiva.

Com isso, sua vida sexual também tem se mantido ativa por mais tempo, mas, como explicamos, existe o problema de essa população ser anterior aos temas atuais sobre doenças e infecções sexuais, por isso é comum não adotarem medidas preventivas contra a DST na terceira idade.

A ginecologista alerta: “a prevenção é igual para jovens e para as pessoas com mais de 60 anos: usar camisinha, fazer exames preventivos.” Estes possibilitam identificar os problemas quando ainda estão no começo, facilitando o tratamento.

A especialista afirma que, por isso, é fundamental, além dos exames de rotina, realizar aqueles relacionados às DSTs, mesmo no caso de pessoas que estão em uma união estável e se relacionam com apenas um parceiro.

Manter uma vida sexual ativa na nova idade não é difícil. Porém, é preciso combater a falta de informação, pois ela coloca as pessoas com mais de 60 anos em risco. Sendo assim, o diálogo aberto com o especialista é essencial para esclarecer dúvidas, relatar possíveis sintomas e fazer um acompanhamento adequado. Desse modo, é possível manter a sexualidade depois dos 60, sem ficar exposto a uma DST na terceira idade.

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