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8 dúvidas sobre os malefícios e benefícios do colesterol para a saúde

saúde: médica e paciente em consultório
23/09/2019
5 minutos de leitura

Muitas pessoas ao ouvirem a palavra “colesterol”, logo associam a problemas de saúde, especialmente doenças cardiovasculares. No entanto, ao contrário do que se pensa, o colesterol é uma gordura muito importante para o bom funcionamento do organismo. O problema está no excesso, pois, além de produzirmos no fígado, também o obtemos por meio da alimentação.

Mas, afinal, o que é o colesterol? Ele é mesmo um vilão para a saúde? Neste texto responderemos essas e outras dúvidas sobre os benefícios e malefícios do colesterol. Não deixe de ler até o final e confira!

1. Afinal, o que é colesterol?

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, o colesterol não é uma doença. Ele é um tipo de gordura produzida naturalmente pelo nosso organismo, sendo primordial para o seu funcionamento.

O colesterol é um componente importante da estrutura das membranas celulares do corpo e também está presente no fígado, intestino, coração, cérebro, nervos, músculos e pele. Ele é importante para a produção de hormônios como o cortisol, testosterona e os estrogênios. Além disso, também é fundamental para a produção de vitaminas (A, D, E e K) e da bile, que ajuda na digestão das gorduras.

Cerca de 70% do colesterol é produzido pelo fígado e apenas 30% é adquirido pela alimentação. Como essa molécula não pode ser dissolvida no sangue, ela precisa se ligar a certos agregados moleculares, que são chamados de lipoproteínas (transportadores específicos), para serem levadas até outros órgãos. As lipoproteínas são as maiores transportadoras de colesterol — as mais importantes são o LDL, HDL e VLDL. Falaremos sobre elas mais adiante.

Ele é prejudicial à saúde?

Como mencionamos, o grande problema está no excesso. O consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras associadas a produção natural de colesterol pelo fígado, acaba aumentando a quantidade no organismo.

Esse desequilíbrio não é saudável e, à medida que os níveis de colesterol no sangue se elevam, aumentam também os riscos para a saúde. Lembrando que tanto as altas taxas de colesterol como as baixas, são prejudiciais para o organismo. Por isso, é muito importante manter as consultas médicas em dia e sempre avaliar, por exame de sangue, os níveis de colesterol.

2. Quais são as diferenças entre colesterol bom e ruim?

Ao longo dos anos, estudos relacionados ao colesterol mostraram que ele não é, necessariamente, um vilão para a saúde. Existem dois tipos distintos: o colesterol bom e o ruim.

Como mencionamos, por ser uma substância gordurosa, ele não se dissolve no sangue e precisa ser transportado pelas lipoproteínas, que também são produzidas no fígado. Essas lipoproteínas, associadas às moléculas de colesterol, formam complexos diferentes, chamados de LDL, HDL ou VLDL. Veja mais informações sobre eles:

Colesterol LDL (ruim)

O colesterol LDL (do inglês low density lipoprotein) é o chamado “colesterol ruim”. Ele é o responsável por transportar o colesterol para os tecidos do corpo e para as células.

O grande problema do LDL é a sua baixa densidade — em grande quantidade no sangue, ele pode se acumular na parede das artérias, causando a formação de placas de ateroma (gordura) e dificultando o fluxo sanguíneo para os órgãos.

Esse estreitamento das artérias aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC). Níveis elevados de LDL também estão diretamente associados a outras doenças cardíacas.

Colesterol HDL (bom)

O colesterol HDL (do inglês high density lipoprotein), conhecido como “colesterol bom”, é uma lipoproteína de alta densidade, que tem como principal função extrair o colesterol LDL do sangue e levá-lo até o fígado, onde será metabolizado e eliminado do organismo.

Manter os índices de HDL mais altos no corpo é muito benéfico para a saúde, pois ele age como um limpador, levando o LDL para longe das artérias, impedindo que ocorra o depósito de gorduras.

Um nível saudável de colesterol HDL pode evitar os mais variados problemas cardíacos. Contudo, é preciso considerar que o HDL não elimina totalmente o LDL. Por isso a importância de buscar tratamentos médicos adequados.

Colesterol VLDL (ruim)

O colesterol VLDL (do inglês very low-density lipoprotein) são lipoproteínas parecidas com o LDL (colesterol ruim), porém de densidade ainda menor. Ele é considerado um colesterol ruim.

A função dele é transportar os triglicerídeos pelo sangue. Os triglicerídeos são as principais gorduras do corpo e servem como reserva de energia. São liberados para serem estocados no corpo ou usados como fonte de energia. Já o restante do VLDL originará o LDL.

Colesterol total

O aumento dos níveis de colesterol é chamado de hipercolesterolemia. O colesterol total do sangue é obtido pela soma dos níveis de HDL e LDL. Assim, para medir essa taxa total é preciso sempre saber o quanto dela é de colesterol bom e o quanto é de colesterol ruim.

O valor de referência nos exames é que o colesterol total de um adulto deva ser menor que 200 mg/dl. Entretanto, o nível ideal pode variar de acordo com a pessoa.

3. Como é feito o diagnóstico do colesterol alto?

Para saber se uma pessoa tem um aumento dos níveis de colesterol, o médico solicita um exame de sangue, chamado lipidograma. O ideal é que todas as pessoas acima de dez anos tenham seu perfil de colesterol avaliado.

Já crianças, cujos pais tiveram problemas cardíacos e arteriais precocemente, devem ser avaliados, porque podem ter uma hipercolesterolemia familiar (genética).

Por isso, é essencial manter as consultas médicas em dia, pois os níveis ideais de colesterol podem variar de acordo com o perfil e histórico de saúde da pessoa, especialmente se houver algum fator de risco.

4. Quais são os sintomas do colesterol?

O colesterol elevado nem sempre apresenta sintomas — é conhecido por ser uma condição de saúde silenciosa. Em casos raros, o excesso da molécula no sangue pode levar à formação de xantomas (depósitos de gordura na pele ou tendões) e xantelasma (deposito de gordura nas pálpebras).

Na grande maioria das vezes, os sintomas surgem em decorrência da formação das placas de gordura nas artérias. Nesse ponto, a situação já está avançada. Quando esses acúmulos afetam as artérias do coração, os sinais clássicos são: dor no peito, sudorese, falta de ar, fadiga e palpitação.

Caso atinja as artérias cerebrais pode ocorrer um acidente vascular cerebral (AVC) com sintomas variados de acordo com a área cerebral atingida: paralisia, formigamento, sonolência, perda de fala etc. Por isso, os níveis de colesterol devem ser avaliados constantemente.

Pessoas que têm histórico de doenças cardíacas na família, especialmente de primeiro grau (pai, mãe e irmãos), em que estes sofreram algum evento cardiovascular antes dos 60 anos, precisam fazer o acompanhamento desde a infância. Esse cuidado precisa ser ainda maior caso a pessoa seja obesa, tenha uma dieta irregular ou que seja diabética.

Diabéticos têm um grande risco de aumento de colesterol, sendo um fator de risco para o desenvolvimento de aterosclerose, que é a inflamação na parede das artérias, causada pelo acúmulo de gordura.

5. Quais são as causas?

saúde: coração com aparelho de auscultar coração

Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Cardiologia (SBC) mostrou que a cada 10 brasileiros, 4 tem colesterol alto — cerca de 40% da população ou o equivalente a 60 milhões de pessoas. O estudo também constatou que cerca de 11% nunca fez o exame de colesterol.

Mas, o que causa o aumento do colesterol? A elevação desse índice depende de vários fatores, como genética, dieta e a prática de atividade física. A maioria das causas do colesterol alto podem ser controladas. Poucos fatores estão fora do nosso alcance. Confira as principais causas para esse problema de saúde:

Sexo e Idade

O estrógeno, hormônio sexual feminino, tem função vasodilatadora que dificulta o acúmulo de colesterol ruim nas artérias e facilita o bom colesterol. Por isso, a partir da puberdade até chegar a menopausa, as mulheres tendem a ter maiores níveis de colesterol bom e baixo colesterol ruim, em comparação com os homens.

Contudo, após a menopausa o risco de colesterol alto aumenta. Nesse período, caso não seja controlado, as mulheres podem apresentar um nível maior de LDL que os homens, ficando mais expostas a doenças coronárias, a partir dessa fase.

Genética

O colesterol alto de origem genética é conhecido como hipercolesterolemia familiar — é um fator hereditário, caracterizado por causar colesterol elevado desde o nascimento, podendo ser a causa de doenças cardiovasculares precoces.

Apesar de estar presente desde o início da vida, esse problema de saúde não apresenta sintomas até os 30 ou 40 anos. Nesse período, caso não seja diagnosticado e tratado, os homens têm 50% de chance de terem o primeiro ataque cardíaco antes dos 50 anos e as mulheres, antes dos 55 anos.

Obesidade

Um IMC (índice de massa corporal) de valor 30 ou mais aumenta a chance da pessoa desenvolver o colesterol alto. Quanto mais elevado é o nosso índice de gordura e peso, maior é o esforço que o coração precisa fazer para bombear sangue e manter o organismo funcionando. Esse excesso de esforço sobrecarrega o órgão, que precisará bater mais rápido que o normal.

Além do mais, quando a pessoa tem uma dieta inadequada, o organismo não consegue metabolizar o excedente de gordura, lançando-a de volta na circulação — esse excesso que fica no sangue, favorece a formação das placas de gordura que podem entupir as artérias.

Apesar disso, é um mito dizer que pessoas magras não podem ter o colesterol elevado. Isso porque os níveis de colesterol no sangue, além da alimentação, depende também da eficiência do fígado em remover essas partículas, e essa capacidade é de origem genética.

Ou seja, a eficiência na remoção de colesterol de um indivíduo não é igual ao do outro. Assim, uma pessoa pode ser magra e ainda apresentar índices de colesterol elevado.

Sedentarismo

O sedentarismo é um dos fatores que contribui para a elevação do colesterol. A prática de exercícios físicos pode ajudar na melhora da saúde, perda de peso e contribuir na redução do colesterol ruim.

Atividades aeróbicas como andar, correr, nadar e pedalar são ideais, visto que aumentam a captação de oxigênio pelo organismo e melhoram a circulação.

Contudo, mesmo as atividades mais leves já contribuem no controle do colesterol. Assim, independentemente da intensidade, fazer exercícios é uma prática muito positiva.

Cigarro

As substâncias presentes no cigarro podem causar a oxidação das partículas de colesterol bom, transformando-as em colesterol ruim. Essa oxidação também pode causar inflamações nas artérias, que resultam na formação de placas de gordura que vão obstruindo as artérias.

Diabetes

Pessoas com diabetes têm uma maior tendência a apresentarem baixos índices de colesterol bom e níveis elevados de colesterol ruim. Assim como o tabagismo, o excesso de açúcar no sangue também pode danificar as paredes das artérias, aumentando o risco cardiovascular.

Alimentação

Uma dieta rica em gorduras trans (industrial), gorduras saturadas e açúcar podem resultar no aumento dos níveis de colesterol ruim, resultando na elevação do colesterol total. Esses hábitos alimentares causam o aumento dessas gorduras no sangue. As gorduras saturadas, com o tempo, lesionam as artérias, aumentando os riscos de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

Doenças específicas

Além da diabetes, outras condições de saúde também são fatores de risco para a elevação do colesterol ruim. É preciso ficar atento aos problemas endocrinológicos, como os relacionados a glândula tireoide, e também relacionados ao fígado e rim.

6. Quais são os malefícios e benefícios do colesterol para a saúde?

O colesterol é muito importante e benéfico para a saúde, desempenhando um papel crucial em nosso organismo. Ele é necessário para o funcionamento de receptores cerebrais, como a serotonina, que é uma substância química responsável por promover o bem-estar.

O colesterol também faz parte das membranas de todas as nossas células, deixando a parede celular mais estável e fluida para facilitar a entrada e saída de nutrientes.

Além disso, também atua na formação dos tecidos cerebrais, na formação da bile, de hormônios esteroides e vitaminas, como a vitamina D, que é importantíssima para a manutenção dos ossos.

Quando em excesso, o colesterol pode causar um risco maior a saúde, em especial, nos hipertensos, diabéticos, tabagistas, sedentários ou pessoas com mais de 50 anos. Entre os malefícios do colesterol alto, podemos citar:

  • formação das placas de ateroma;
  • infarto agudo do miocárdio;
  • acidente vascular cerebral;
  • complicações renais.

7. Quais são os tratamentos para o colesterol?

O tratamento do colesterol alto, visando uma melhora da saúde, é feito tanto por meio de medicamentos como por mudanças nos hábitos de vida. Quando falamos em tratamento de uma doença, seja ela qual for, a orientação de um médico especialista é essencial.

Em casos de aumento do colesterol de origem genética, por exemplo, o uso de medicações, associado a uma alimentação equilibrada e atividades físicas são as principais indicações. Já quando o problema é ocasionado por dieta inadequada, apenas a reeducação alimentar e exercícios podem ser suficientes.

Dessa forma, apenas um médico poderá indicar qual a origem do problema e definir o melhor diagnóstico. No geral, a mudança no estilo de vida é o primeiro passo para ter um bom resultado. Toda pessoa com colesterol alto — e até aqueles que com colesterol equilibrado — deve aderir a uma dieta adequada, praticar exercícios físicos e perder peso, quando necessário.

8. Como prevenir o aumento do colesterol?

Aderindo a uma alimentação saudável e à prática de exercícios físicos, você poderá manter em equilíbrio os índices de colesterol bom (HDL) e ruim (LDL), minimizando os riscos de infarto, derrame cerebral e outras doenças relacionadas.

Portanto, para reduzir as taxas de colesterol, é preciso uma mudança de hábitos. Confira, a seguir, algumas recomendações:

Coma alimentos saudáveis

O que você come influencia diretamente na sua saúde e no seu nível de colesterol. Gorduras saturadas e trans aumentam os índices de colesterol ruim. As principais fontes dessa gordura são as carnes vermelhas, carnes processadas e produtos lácteos.

Elas também são encontradas em margarinas, biscoitos, salgadinhos e bolachas. Essas gorduras são particularmente ruins, porque além de aumentar o colesterol ruim, ainda diminui o colesterol bom. Assim, sempre que ver um alimento contendo “óleos parcialmente hidrogenados”, evite-os.

Alimentos como abacate, amêndoas e nozes são fontes de gorduras saudáveis e boas opções para o dia a dia. Outro hábito que melhora a saúde do coração é o consumo de produtos integrais, como arroz e trigo integral. A aveia também é uma boa escolha.

Além disso, procure consumir mais frutas e legumes. Esses alimentos são ricos em fibras alimentares que podem ajudar a reduzir o colesterol, além de possuírem diversas vitaminas essenciais para a saúde.

Como o colesterol é encontrado em alimentos de origem animal, como carne, leite e seus derivados, é aconselhável a redução no consumo desses produtos. Os peixes têm menos gordura saturada e colesterol que as outras carnes. Por isso, aumente o consumo de bacalhau, atum, salmão e outros peixes — eles são ricos em ômega 3, que promove a melhora da saúde cardíaca.

Confira alguns alimentos que podem ajudar na redução do colesterol e outros que devem ser, preferencialmente, evitados:

  • alimentos bons: ricos em fibras (como verduras e legumes, frutas, aveia, alimentos integrais, quinoa e chia), ricos em ômega 3 (peixes e linhaça), óleo de coco, azeite de oliva extravirgem e tubérculos (inhame, mandioquinha e batata-doce);
  • alimentos que devem ser consumidos com moderação: carnes muito gordurosas, bacon, pele de frango, gema de ovo, queijos amarelos, lagosta, sorvetes cremosos, fast foods, alimentos processados e biscoitos recheados.

Exercite-se regularmente

Exercícios regulares contribuem muito para ajudar a reduzir a taxa de colesterol e melhorar a saúde. Como mencionamos, mesmo as atividades mais leves já fazem muita diferença e são benéficas para o organismo.

Os melhores exercícios são os aeróbicos, como corridas, caminhadas, andar de bicicleta ou natação. Desses, a caminhada é o mais recomendável, pois não deixa o coração bater mais que 150 batimentos por minuto, evitando o desgaste do músculo cardíaco.

Vale lembrar que exercícios físicos só devem ser realizados após validação médica. É importante que esse profissional realize exames e defina as melhores atividades e intensidade ideal para cada caso.

Tenha hábitos saudáveis

Manter hábitos saudáveis é fundamental para reduzir e controlar os níveis de colesterol e melhorar a saúde. É indiscutível que uma vida equilibrada é benéfica para todas as áreas, tanto físicas quanto psicológicas. Assim, procure mudar certas atitudes.

Consuma bebidas alcoólicas com moderação e evite o cigarro. Além disso, evite situações estressantes. É claro que isso nem sempre é uma tarefa fácil, porém uma vida com muito estresse também aumenta o risco cardiovascular.

Além do mais, fazer consultas regulares com o médico e exames preventivos é indicado a partir dos dez anos — tanto adultos quanto crianças precisam se prevenir em relação ao colesterol. Quanto antes for detectado uma alteração, mais fácil será a redução e equilíbrio.

Cuidar da saúde e do colesterol precisa ser uma atitude preventiva e permanente. De nada adianta iniciar certos cuidados e mudanças no estilo de vida, para depois voltar a ter hábitos ruins e abandonar o tratamento. Vale ressaltar que os cuidados com o colesterol devem ser contínuos e diários, a partir de hábitos saudáveis e, quando necessário e indicado por um médico, deve-se fazer o uso de medicamentos.

Agora que você já sabe o que é o colesterol, os problemas de saúde relacionados e o que causa o aumento dele no sangue, já pode iniciar uma mudança de vida e se prevenir. Vimos que o excesso de colesterol, na grande maioria, ocorre devido a práticas alimentares erradas.

Aplique na sua rotina as nossas dicas, adotando hábitos saudáveis, afinal buscar uma melhora na qualidade de vida deve ser prioridade para todos. Dessa forma, seu coração e sua saúde em geral agradecem!

Então, ficou alguma dúvida sobre os benefícios e malefícios do colesterol? Se sim, deixe um comentário no post e compartilhe com a gente, será um prazer respondê-lo!

Colaboram neste artigo:

Dr. Odair Albano
Clínico
CRM-SP 31101



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